Convênio prevê centro de transplante de medula para crianças com doença falciforme em Ribeirão Preto, SP

  • 01/10/2026
(Foto: Reprodução)
Ministro Alexandre Padilha no Hemocentro de Ribeirão Preto, SP Eudis Filho/CBN O Ministério da Saúde assinou nesta quinta-feira (1º) um convênio de R$ 3,18 milhões para reformar uma ala do HC Criança, em Ribeirão Preto (SP), e ampliar de dois para sete os leitos de transplante de medula óssea pediátrico. A nova unidade terá leitos voltados a crianças com doença falciforme. Segundo a diretora técnico-científica da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto (Fundherp), Fabíola Traina, 30 pacientes com a doença já têm doador compatível e estão aptos ao transplante, mas aguardam leito. Hoje, o transplante de crianças com doença falciforme acaba adiado porque as vagas são ocupadas por casos de leucemia e outras urgências oncológicas. 📲 Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp De acordo com a diretora, os projetos da reforma já estão aprovados. A expectativa é começar a implantação em menos de 12 meses depois da liberação do dinheiro. “Já está tudo aprovado na parte da obra, em relação a todos os projetos. Já estão também todos prontos para começar assim que a verba estiver na conta”, afirmou Fabíola. Agora no g1 O convênio foi assinado durante visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao Hemocentro de Ribeirão Preto. Segundo ele, a execução será acompanhada pela Caixa. O ministro afirmou que o centro vai ser referência no tratamento da doença para o estado e para o país, além de ajudar a formar profissionais e desenvolver tecnologia. Segundo ele, o Brasil tem uma das maiores populações com a doença fora da África. “[A doença] impacta muitas famílias aqui no nosso país, e é a oportunidade de oferecer um procedimento, uma terapia que pode significar a cura da anemia falciforme”, disse. Espera por leito Atualmente, o HC tem dois leitos para transplante de medula com doador em crianças e três para adultos. As crianças com doença falciforme fazem o procedimento no hospital de adultos e disputam vaga com pacientes com câncer no sangue. De acordo com Fabíola, a demanda deve crescer. As regras que permitem o transplante para a doença no SUS ainda são recentes, e os médicos estão aprendendo a identificar os pacientes que podem passar pelo procedimento. “As portarias que autorizaram o transplante de [medula óssea] para doença falciforme ainda são relativamente recentes. Então, a gente ainda está identificando esses pacientes, os médicos, os hematologistas, a gente está aprendendo a fazer essa identificação e também é preciso a disponibilidade de leitos para que essa indicação seja feita no momento correto”, disse. Hemocentro de Ribeirão Preto (SP) Arquivo Cedoc/EPTV Como vai ser o centro A unidade vai se chamar Centro de Terapias Avançadas em Doença Falciforme. Ela vai funcionar em uma ala que já existe no HC Criança, ligado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Por isso, é uma reforma, e não uma obra nova. Segundo a planta apresentada por Fabíola no evento, a área terá cinco quartos com pressão positiva, onde ficam os pacientes transplantados, e três quartos de isolamento. O ar será filtrado, já que esses pacientes ficam com a imunidade muito baixa. Os quartos também terão monitoramento contínuo e espaço para acompanhante. LEIA MAIS Hemocentro de Ribeirão Preto, SP, amplia pesquisas para tratamento contra o câncer A previsão é reservar dois leitos exclusivos para a doença falciforme. Como cada paciente fica internado em média dois meses, isso permite cerca de 12 transplantes por ano, segundo a fundação. O atendimento será público e gratuito. O projeto completo, com equipamentos, foi orçado em R$ 6 milhões, segundo a fundação. O valor do convênio com o ministério é destinado à reforma. “Esse número de leitos vai ter um impacto muito importante para ter uma flexibilidade dedicada ao paciente com doença falciforme, para ele não entrar na fila com todos os outros pacientes, com as emergências oncológicas, porque todas são muito importantes e precisamos atender a todas”, afirmou a diretora. Questionada se a nova estrutura será suficiente, ela disse que a capacidade é adequada para a demanda atual. “O futuro a gente sempre quer ampliar, mas eu acho que ele está muito bom para a demanda nesse momento.” Ministro Alexandre Padilha assinou convênio para centro de transplante para anemia falciforme Eudis Filho/CBN O que é a doença falciforme A doença falciforme, que inclui a anemia falciforme, é hereditária. Ela faz as hemácias, as células vermelhas do sangue, assumirem formato de foice, o que prejudica a circulação e pode lesionar órgãos. Segundo o ministro, a doença atinge sobretudo a população negra. Em crianças e adolescentes, ela provoca infecções repetidas, problemas ortopédicos e dificuldade de crescimento. De acordo com Fabíola, as complicações podem atingir todos os sistemas do corpo, e o AVC é a mais grave. Dados apresentados por ela apontam expectativa média de vida de 36 anos para pessoas com a doença. Para a diretora, o transplante de medula óssea é hoje a única terapia curativa disponível no Brasil para a doença. Quando feito na infância, segundo ela, o procedimento interrompe o avanço das lesões antes que deixem sequelas. Ainda segundo Fabíola, o transplante protege contra o AVC, reduz internações e acaba com a necessidade de transfusões frequentes. Os resultados citados por ela são de transplantes com doadores aparentados, ou seja, da família. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/10/01/convenio-preve-centro-de-transplante-de-medula-para-criancas-com-doenca-falciforme-em-ribeirao-preto-sp.ghtml


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